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terça-feira, 15 de maio de 2018

ANA JÚLIA MACHADO ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA ENSAIA O AFORISMO 751 /**ASSIM FALAVA O GURU FESMONE**



Neste texto de extrema complexidade e como sempre poderia levar a uma tese complexa e nada fácil e com muito empenho e estudo.


Aqui verifica-se a revolta de um grande escritor, com a mediocridade atual da escrita.


Como escritor o sentimento que lhe ocorre é que se tivesse poder os ofuscava a todos. Hoje, em dia não é necessário se ser um erudito, para surgir na ribalta. Quando fala em GURU FESMONE, será provavelmente um líder como ele revoltado, em que não encontra tão-pouco vontade para escrever…sentindo-se sem rumo, inquieto e sem resposta para tanta barbárie.


Atravessamos uma era de uma sociedade integralmente preparada segundo rompimentos instrutivos, na qual a simples alusão das anacrónicas locuções “pai” e “mãe” originam náusea.


Um mundo de pessoas delineadas em laboratório, e instruídas para executar seu papel numa colectividade de espécies biologicamente determinadas já na natividade. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só possuem a utilidade de fortalecer a consciência de conformismo. Um universo que celebrara o progresso da tecnologia, a linha de montagem, a obra em série, a monotonia, e que venera Henry Ford. Essa é a conspeção amplificada no perspicaz romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, instituem os modelos mais importantes, na esfera literária, da tematização de estados despóticos. Se o livro de Orwell reprovava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do estalinismo e a barbárie do nazi-fascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se converteu a nova fé, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual o saber do sujeito não alvitra mais causar nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare alcança tons subversivos. Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um simples exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais reverente, de um olhar pontiagudo acerca das potencialidades despóticas do próprio mundo em que habitámos. Como um alerta de que, ao não se resguardarem os valores da cultura humanista, o que nos espera não é o cor-de-rosa éden iluminista da independência, mas os cativeiros de um assombroso mundo novo.


De acordo com Adorno e Horkheimer, nas sociedades hodiernas vivemos na era da massificação social, onde tudo é padronizado. Este padrão ter-se-ia começado em utilidade da razão iluminista que, no começo referia-se a liberdade dos indivíduos e o desenvolvimento social, mas acabou por levar a um excesso império das criaturas, em virtude precisamente do progresso técnico-industrial. Dessa forma, ao inverso de sujeitos analíticos (razão crítica), as sociedades contemporâneas abonam-se no uso da razão instrumental, ou seja, as pessoas atualmente decidem apenas pelo exercício dos factos, ao envés da absorção crítica dos seus motivos.


Com isto, de acordo com os aludidos filósofos, isto culminou com a cultura de massa que é a industrialização e criação em série de artigos culturais, que manufaturam, por sua vez, personalidades adulteradas ou pseudo-individualidades.


A razão instrumental, real concretizadora da cultura de massa, está absorvida com os fins que também qualificam o sistema de exploração capitalista, ou seja, o ganho. Por isso, diante das forças econômicas, os sujeitos acabam resumidos a nulidade. Milhões de pessoas são eliminadas por espécies de pensamento crescidas a partir do século XIX, como a ideia de que as empresas protegem os trabalhadores, mas a pluralidade deles, ainda hoje, não alcançou encontrar esses benefícios. Para que esse sistema histórico-social – que apenas auxilia os empregadores – possa perdurar intacto, isto é, engrossado, engendrou-se uma maneira muito pujante de fazer com que as criaturas não utilizem sua causa crítica para criar sua identidade, convertendo-se reais réplicas de outras pessoas tal-qualmente dissimuladas.


Assim, a cultura de massa propagandeia protótipos pré-prontos de sujeitos. Estes abonam-se em ostentações culturais que satisfazem antes de tudo às normas de mercado, ao envés dos interesses gerais dos seres humanos. Da mesma forma, a arte que antigamente foi a demanda do sublime, circunscreveu-se apenas ao maior proveito capitalista, ou seja, o lucro. Nessa concepção de cultura de massa tudo está desimpedido aos indivíduos, desde a santidade espetaculosa, às individualidades ambicionadas e sensações cobiçadas.


O controlo social gera o afloramento dos sujeitos, silenciando a singularidade. Quanto mais medíocre, preferível para a " paz " sabida.


A educação disciplinar do corpo pessoal é o meio que ampara a alteração da vida humana em força lucrativa orientada para objetivos exequíveis que propiciam efeitos materiais e vantajosos para a sua sociedade ou para o grupo que fiscaliza a sociedade. Traz as contendas humanas para a poesia, abrindo-a para uma crítica social da atualidade, ao mesmo tempo em que essa poesia é vendedora do mundo novo do futuro. Uma poesia de confianças, vexada com todos aqueles que, próximos ou longe dele, brigam pela justiça, pela querença e pela existência.
Em desfecho, todo o planeta é independente". O ímpar desprazer é que o verbo liberdade, que readquire essas aceções tão divergentes - e centena de outras - sejam utilizadas sem que as criaturas contemplem a indispensabilidade de particularizar o sentido que lhe imputam em cada caso.
Uma prosa de poeta é as memórias do ardor. O conjunto da obra de Tsvetáieva é uma alegação em alegação do enlevo; e em proteção do talento, ou seja, da graduação: uma versificação do prometeico. Toda a nossa conexão com o génio é uma exceção em benefício do talento como redigiu Tsvetáieva em seu excelente ensaio “Arte à luz da consciência”. Ser poeta é uma circunstância de existência, de vida distinta: Tsvetáieva fala do seu bem-querer pelo “que é mais eminente”. Há em sua prosa, como na poesia, o mesmo lineamento de ascensão emocionante: nenhum outro escritor recente se avizinha de uma experiência do excelso como essa. Como assinala Tsvetáieva: Ninguém nunca entrou duas ocasiões no mesmo flúmen. Mas alguém já ingressou duas vezes no mesmo livro….


Ana Júlia Machado


Em verdade, em verdade, FESMONE, se é que possa assim dizer, é uma sigla: MANOEL FERREIRA DA SILVA NETO. Criei-o como meu próprio representante, inspirado em Zaratustra, FESMONE é discípulo de Zaratustra, de Nietzsche. Trata-se de uma personalidade e carácter polêmicos, intransigentes, prepotentes, radicais, rebeldes, revoltados, um intelectual à moda antiga, isto é, crítico dos valores existenciais, sociais, individuais, um crítico ferrenho. Diz na ponta da língua o que pensa e sente, e não se incomoda poucochito com as opiniões; se precisar respondê-las, fá-lo-á não apenas com a língua em riste, mas com os linces do intelecto e conhecimento adquiridos. As críticas contundentes, fortes que ele faz não nascem apenas de seu carácter, personalidade, subjetividade exacerbada, sensibilidade paradoxal, mas de um conhecimento filosófico-literário. Sabe ele perfeitamente que o seu paradoxismo nasce de um princípio que ele bebeu na obra de Dostoiévski: o caminho para a Estética nasce no íntimo do Paradoxo, é filho do paradoxo.


Assim é que ele se revolta com a Literatura, Poesia de nossos tempos atuais, chamem de Ultra-Modernismo, Hiper-Modernismo, Contemporaneismo(Contemporaneidade). Revolta-se com a extinção da Estética, a menina-dos-olhos das Artes. Tanta é a sua revolta com a Literatura e Poesia que está se tornando nauseante, ridículos, hipocrisias, imbecilidades são as suas características, que, se pudesse, cegava, silenciava os que se dizem escritores, poetas. Para quem é sensível, sua crítica cega, silencia, ou pelo menos deixa os escritores e poetas atuais com o famoso "sapo seco" atravessado na garganta, dar a resposta torna-se difícil e complicado.


A sua análise crítica, eminentíssima escritora, poetisa e crítica literária Ana Júlia Machado, faz um estudo profundo das origens desta desintegração, desta extinção da Literatura, da Filosofia, tomando como fundamento Adorno, Horkheimer, filósofos da Escola de Frankfurt. E com categoria esta análise, pois que Adorno faz um estudo sobre a Arte, especialmente o Barroco, contracenando com a Era Mecanicista, Capitalista, tentando resgatar a Estética, a Consciência-Estética-Ética, e Horkheimer estuda a sociedade, que particularmente eu denomino, Sociedade do Nada, os únicos valores desta sociedade são o mecanicismo, o capitalismo. Filósofos realmente complexos e herméticos, dificílimos de entender, compreender, espremi os miolos, mas consegui assimilá-los. Aldous Huxley, escritor, também em sua obra mostra a desintegração da sociedade moderna, das Artes.


Neste ensaio, então, você mostra, revela as origens desta desintegração em perfeita consonância com o meu Aforismo, retirando do interdito da obra as luzes do Pensamento de Fesmone. Como você mesma diz: "um texto que dá uma tese" com muito estudo, determinação.


Com o seu ensaio, fica explícito a crítica ferrenha de Fesmone à Literatura e à Poesia Contemporânea. Crítica que eu, Manoel Ferreira Neto, tomei em mãos e levo a cabo custe o que custar, mas o meu projeto é a Consciência-Estética-Ética. Seguimos juntos, o Guru Fesmone e eu nesta empreitada filosófica-literária.


Cumprimento-a, tirando-lhe o chapéu, minha caríssima amiga, por esta crítica de excelência. Estará nos anais de minha obra por sempre.


Abraços afetuosos.


Manoel Ferreira Neto


#AFORISMO 751/


ASSIM FALAVA O GURU FESMONE#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Sentindo-me distante, deixe-me vagar pelo deserto, onde não há rumo, destino - exuberância do ser libertador. Sentindo-me disperso, deixe-me cantando a canção onírica das quimeras, no canto quieto, inquietas as sensações dos questionamentos sem respostas, perguntas des-conexas, sem sensos e lógicas, sou vazio de id, ego, superego, sou nada de razão, intelecto, feito fortuitamente do inacabado frutífero, sou o branco das páginas sem linhas para escrever, as trevas da alma sem idéias e ideais para pro-jectar, sou o "ec" sem "sistência", porfio no que andará pelo espaço, pervago solene pelas nuvens azuis, pelo branco horizonte do infinito.


Ser visto por olhos de lince lega-me o sentimento de orgulho, lisonja, faz-me sentir humano, habita-me o ser da humanidade; ser enxergado por olhos apenas traz-me às prefundas da alma a perquirição: "Serão isto olhos? Ou simplesmente duas bolas, de um lado e outro do nariz?" Os olhos de lince impõem a si o dever de in-vestigar e avaliar os valores, as virtudes. Possa o destino sempre colocar no meu caminho gentes de olhos de lince - quê inferno delicioso! -, haverá sempre a responsabilidade de pensar o pensamento que pensa, sentir o sentimento que sente. Os remordimentos educam ao morder. Mordo os valores e virtudes contemporâneos.


Deixe-me distante, deixe-me disperso - quiça as ad-versidades do absoluto e pleno sejam a tese, antítese, síntese do nada re-verso na imagem pro-jectada no espelho dos rebos rijos, dos etéreos diamantes que trans-literalizam as insolências do inferno, divinas comédias da poesia sem poiésis, da prosa sem eidética, tudo que cunha e que desabrocha é embrião em prenhez de índole ou Númen, a arte pura da des-fantasia, a metalinguística inócua das trevas do caminho, o "it" das águas vivas que jorra da fonte a vereda por seguirem.


Tempo demais ardi em anseios, perscrutando o longínquo, in-vestigando as distâncias entre o efêmero, o que hoje foi criado, composto, feito, e o eterno, o que ontem foi pensado, questionado, perquirido, até que com-preendi o alimento da sabedoria está no aqui-e-agora, o conhecimento está nas dores e sofrimentos, tristezas e desolações.


Tempo demais gastei ouvindo os nonsenses dos poetas, as fantasias dos escritores, as crendices das multidões, da plebe. Andam eles na calçada direita da rua esquerda, ando no canteiro de palmeiras, no meio da alameda.


Tempo demais pertenci às algazarras da paz, da solidariedade, da compaixão.
Pertenço à solidão, hoje. Falsos valores, hipócritas virtudes, palavras ilusórias: são estas as desgraças deslavadas dos mortais, a fatalidade ressona, dorme, tira soneca neles.


Tempo demais desperdicei ouvindo utopias, projetos irreais, desleais, em nome das fugas das conjunturas sociais, políticas, declamadas, recitadas pelos "salauds", perfeitos re-presentantes da sociedade nos seus níveis de moral e ética retrógradas, mentirosas, inclusive brindando drinks com eles nas mesas de restaurantes. Comecei de não sair de casa para coisa alguma, por alguns dias, e depois nas ruas esquivar-me, mudar de calçadas, correr alucinado fugindo deles. Tudo o que desejavam de mim era irreal, expectativas imorais, re-verenciá-los, tecer-lhes críticas as mais sublimes, endeusar-lhes, abrir-lhes portas para todos os louvores. A compaixão é uma emoção vulgar e intrinsecamente depressiva, enfraquece e leva à sede de nada.


O ser verbo de sonhos literaliza a angústia das imperfeições, a náusea das mais-que-imperfeições, o vazio dos limites, trans-literaliza os atos falhos e incapacidades, os lapsos da memória. A essência verbal da carne pres-ent-ifica o vácuo das melancolias, a gruta de estalactites das nostalgias, a cisterna de água fresca e límpida das saudades, o nada das ipseidades e facticidades, vers-ejando o nada das esperanças, vers-ificando a nonada das utopias, a travessia das "querenças", a sétima lâmina dos desejos corta simples, em sublimes fatias, as buscas do absoluto, os volos da verdade.


Para estes poetas de hoje, não quero ser a poética do fogo; para estes escritores de hoje não quero ser a eidética da verdade; para estes sábios de hoje, não quero ser a luz, não quero chamar-me luz; para estes sonhadores de hoje, não quero ser raios numinosos. Quero, a estes, cegá-los, silenciá-los.


Há uma demoníaca, mefistofélica hipocrisia nos que querem o que está para muito além de suas capacidades, dons e talentos. Nada é mais raro e precioso, aos meus olhos, do que a honestidade, a verdade nas mãos.


Nos intervalos secretos da alma, conjunturas, instantes, vocábulos não fluem expressões, des-apoquentação, carmes, estâncias não asseveram o carme construtivo, incomunicação, renques, alamedas, terreiros, locais interiores, veredas ermais, veredas de remotos e retrógrados apetites, no corpóreo a comparência da chama, da brasa, sem desígnio, sem orientação, sem desconsolo, sem moléstia, sem constrição, sem taciturnidade. Nentes.


Incomunicação. Ermal.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE MAIO DE 2018)


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